segunda-feira, 27 de julho de 2009

É proibido calar




Aqui em nosso paraíso tropical, as vezes nos é difícil compreender algumas realidades do mundo lá fora. É verdade que por aqui também nos passam barbáries difíceis de se acreditar mas ao menos temos a liberdade de saber o que ocorre ao nosso redor e discutir sobre estes acontecimentos, ao contrário de muitos países onde a liberdade de expressão é vetada a seus cidadãos. Alguns destes países estão muito próximos do Brasil.
Há poucos dias vimos o Golpe Militar que depôs Manuel Zelaya em Tegucigalpa, Honduras. Sabemos, também, que os Castros seguem firmes em suas convicções, embora esteja cada vez mais difícil segurar os restos mortais das ideologias em La Havana. A repressão e a não provisão das necessidades da população cubana estão cada vez maiores e mais visíveis, ainda mais agora com a crise econômica mundial.
Vivemos tempos de epidemia de gripe, crise no mercado financeiro, ameaças nucleares da Coréia do Norte, sem falar do terrorismo no Oriente que se estende até o Ocidente. Acontecimentos muito importantes, mas que não devem desviar nossa atenção do desrespeito aos direitos humanos praticados nos países "socialistas".
Na luta por se fazer ouvir, uma grande rede de blogueiros cubanos, e a partir de agora de hondurenhos, tem se levantado na internet. São pessoas que escondidos atrás de pseudôminos, ou não, informam de forma detalhada os abusos que sofrem, driblando de forma louvável os esquemas de censura - esquemas estes que têm o auxílio dos grandes provedores da Web, há que se registrar.
Destaque para o Generación Y de Yoani Sánchez, um blog premiado por ser pioneiro no jornalismo digital de Cuba.
Sánchez, formada em Filosofia e esposa de um jornalista, impressiona pela coragem de se expor e pelas formas inusitadas como faz para colocar seus posts no ar. É claro que a blogueira não revela aos quatro ventos quais são seus métodos, o que se sabe é que ela tem uma rede de colaboradores espalhados pelo mundo. Especula-se que em parceria com amigos alemães ela criou o portal DESDECUBA.COM, envia seus textos via e-mail para os editores que então publicam e outros parceiros de várias nacionalidades traduzem para suas respectivas línguas, o que dificulta o trabalho dos censores.
Outra grande dificuldade dos internautas cubanos é a, quase, impossibilidade de conexão na ilha - somente hotéis tem concessão para conectar-se à rede, e estes cobram valores absurdos pela hora em lan houses clandestinas. Isso não impede que Yoani organize encontros de blogueiros e seminários para ensinar os métodos de publicação na internet, bem como para discutir a ética nos blogs e o DESDECUBA.COM já apresenta versões do GENERACIÓN Y em português, inglês, japonês, chinês, polonês, francês, alemão, lituânio, checo, holandês, finlandês, búlgaro, húngaro, coreano, grego e russo.
O governo cubano, como é costume dos ditadores, tratou de espalhar que Yoani é uma farsa, que seria uma invenção de um grupo de jornalistas que são contrários à "Soberania Nacional". Sobre outra blogueira, a Dra Hilda Molina, uma respeitada médica cubana, os Castros não conseguiram encontrar uma desculpa e no final de junho deste ano ela conseguiu unir-se à sua família em Buenos Aires, depois de uma campanha histórica pela internet que sensibilizou os diplomatas da Casa Rosada - até os Kirchners entraram na negociação.
Durante a Copa do Mundo, em 2006 em Pequim, os chineses também aproveitaram o momento para burlar a censura e protestar contra o governo e os crimes políticos. Mais recentemente, os Iranianos conseguiram sensibilizar o mundo através de ferramentas como TWITTER, sites de relacionamento e SMS's- o vídeo da morte da jovem Neda Agha Soltani ganhou o mundo e virou um símbolo da luta contra a opressão da mulher muçulmana.
Não há dúvidas de que durante a Copa do Mundo em 2010, na África do Sul, os internautas nos mostrarão uma África com detalhes que os jornalistas jamais conseguiriam descrever, visto que gigantes como FACEBOOK e WIKIPEDIA agora estão disponíveis em zulu, suaíli e xhosa, idiomas falados por milhares de africanos que até então não tinham voz na rede.
Embora, alguns dos males que afligem estes povos não nos assustam mais, é bom para todos que não fechemos os olhos e não quebremos a corrente, divulgando através de links, criando comunidades e fóruns para discutir os temas, pois isso fortalecerá a cobrança dos órgãos internacionais, além da importância histórica destes relatos.

*** Veja os blogs citados neste artigo na Seção "O QUE ESTOU LENDO", aqui do TripleDoubleV.

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