sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Da Espanha um amigo me escreve sobre a crise.

Escrevi para um amigo argentino que hoje vive na espanha, perguntando como está sendo viver fora de seu país agora que a crise econômica está em seu momento mais crítico.
Juan Carlos é farmacêutico, formado pela Universidad Nacional de Missiones. Ele me escreveu o seguinte texto, que traduzi para postar aqui:


Sobre a crise, na Espanha.

Eu vivo em Mataro,30km ao norte de Barcelona,uma cidade de mais de 120.000 habitantes e aqui há muitos imigrantes, de todas as partes.
A crise, em particular, não me afetou muito. Eu não fiz grandes mudanças em minha vida,nada além do que todos estejam fazendo. Difícil está para as pessoas que não tem uma profissão e, consequentemente um poder aquisitivo bem menor pois, como se sabe, tudo isso é pela especulação no setor imobiliário e o "dominó das hipotécas".
A Espanha é um caso raro na comunidade econômica européia, tem um índice de desemprego de quase 20%, sendo que na maioria dos países esse índice não passa dos 8%. O “porquê” não sei, mas é o que se escuta e se lê.
Vejo que aqui as pessoas têm dificuldade de levar um modo de vida mais simples do que levavam há um ano, mas os costumes estão mudando e os gastos também. Hoje as pessoas perguntam quanto custa cada coisa nas lojas, antes isso quase não existia, você só pagava e levava o que queria.
Se você presta atenção nas compras de supermercado percebe que são poucos os que enchem os carrinhos, isso só no final do mês, depois só poucas coisas nas bolsas de compras.
Os espanhóis continuam saindo de férias, mas por poucos dias e os gastos são menores. Claro, há gente de todos os níveis . Tem gente que continua gastando muito e fazendo viagens de mais de uma semana.
Fala-se muito que para os aposentados e pensionistas está difícil chegar ao final do mês, apesar de que aqui a Seguridad Social (Previdência Social) lhes cobre 100% dos medicamentos, o que já é uma grande ajuda, ao contrário dos países da América do Sul onde o governo só ajuda com uma pequena parte dos remédios.
Mas, definitivamente, a crise está pior para as pessoas sem nível superior, sobretudo os imigrantes que estão aceitando trabalhos cada vez mais desagradáveis e mal remunerados, e isso é um prato cheio para os que pretendem ter um empregado barato e sem razões para reclamar.

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