segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Muita sátira e pouca graça


Na sexta- feira estreou em Blumenau a comédia BRUNO, largamente comentada pela mídia nos últimos dias como um documentário super engraçado, e como eu gosto de novidades fui correndo ver. Pelo título você já percebeu que eu não gostei. Aí vai a minha conclusão:
O documentira Bruno, do comediante Sasha Baron Cohen, atira para todos os lados e não cumpre com o que promete: fazer rir.
Primeiro porque mesmo não estando familiarizado com os idiomas (inglês e alemão) qualquer um percebe que não é um documentário, aliás, é visível que muita coisa ali foi ensaiada várias vezes, mas até aí tudo bem. Na tentativa de produzir um besteirol improvisado o roteiro perde o foco e o espectador não sabe ao certo a que se propõe a trama.
No início dá a impressão de que ele está criticando o mundo superficial da moda, pois o comediante invade desfiles de grifes famosas e entrevista top models e estilistas de forma irônica, depois você tem a impressão de que a piada é com os alemães ou austríacos porque o personagem é natural da Áustria e fala um inglês carregado e ainda tem um caso com um alemão, brincando com a masculinidade dos anglo-saxônicos, mas aí a estória muda e Bruno migra para Los Angeles e começa a fazer tudo para ficar mundialmente famoso, numa clara alusão aos “15 minutos de fama”.
Talvez algo engraçado seja a cena em que Bruno retira uma caixa na esteira do aeroporto e de dentro dela sai um bebê negro, que ele trouxe da África (você tem visto este filme). Louco pela fama o personagem procura uma especialista em consultoria de imagem para que ela lhe indique qual a “caridade do momento”, pois ele está pensando em inovar, visto que a “África é de Madonna e o Camboja de Angelina Jolie”.
Bruno é um gay caricato, com todos os trejeitos que o cinema já imortalizou e no roteiro estão alguns elementos que satisfazem unicamente ao publico americano: mexicanos que servem de poltronas, por exemplo. Ridicularizar mexicanos é um dos clichês que você está cansado de ver nas comédias americanas.
Sasha tenta polemizar na cena em que Bruno parado em frente a uma loja de eletrodomésticos vê famosos na televisão e tem uma idéia: para ser famoso é preciso ser hétero, pois todos os famosos que ele conhece são héteros, ou ao menos parecem ser. Aí começa sua luta para se converter ao heterossexualismo. Mas não pense que você irá gargalhar nestas cenas, a trama continua morna e já são mais de 30 minutos de filme.
Conclusão: o filme não é uma crítica aos fashionistas, ou ao movimento gay,ou aos homofóbicos, às celebridades e tão pouco à sociedade americana. Ao menos não é esse o efeito conseguido, pois ele tenta satirizar todos de uma só vez.
Eu fui ao cinema na intenção de gargalhar muito e voltei frustrado e mais firme na minha convicção de que quando a publicidade é demasiada, geralmente, o filme não é bom. Nos últimos meses Sasha Cohen nos bombardeou com suas polêmicas para nos seduzir para as salas de exibição. Eu me senti um incapaz, mentalmente falando. Por isso recomendo que você não gaste seus reais com este filme. Ele é qualquer coisa, menos engraçado.

Um comentário:

Tety disse...

Realmente, so pelo nome já podemos ter uma noção de este infelizmente NÃO é um dos poucos que apesar do nome tem uma historia com conteudo!!
kkkk