sábado, 15 de agosto de 2009

O brasileiro é tão bonzinho...

Nessa sexta-feira eu relembrei os horrores da catástrofe de novembro do ano passado.
Fiz planos de visitar meus pais e pra isso iria enfrentar seis horas de ônibus até o meio-oeste, então precisaria de álcool em gel e máscaras, e já havia ouvido falar da falta desses produtos em Blumenau.
Eu trabalho no bairro Itoupava Seca e moro no centro. Resolvi vir a pé para entrar em todas as farmácias, lojas de conveniências de postos de gasolina e mercadinhos do meu trajeto.
Creio que os atendentes nos balcões destes estabelecimentos já estavam cansados de dar a mesma resposta: não temos.
Foram 9 estabelecimentos ao todo, entre farmácias e supermercados. Uma das moças, numa farmácia aqui no centro me disse que se eu quisesse comprar álcool teria de vir as duas horas da manhã, que era o momento em que a transportadora lhe entregaria um número limitado de frascos deste produto tão precioso nos últimos dias.
Já estava desistindo quando resolvi entrar na ultima farmácia do caminho de casa, ali na Marechal Floriano Peixoto. Para minha surpresa eles tinham acabado de receber o álcool e também tinham máscaras. Preços: álcool 80g com Aloe Vera, R$ 10,00; máscara cirúrgica com elástico, R$ 1,00 a unidade (vendida avulsa).
Lembrei-me daquele triste novembro quando um litro de água mineral chegou a custar R$20,00. Lembrei do grupo de pessoas que subiram comigo o morro da Companhia Hering, pela mata, para descer até o Bairro da Velha e ali comprar pães racionados e a preços absurdos.
Fico imaginando a que preço seria vendido o Tamiflu se o governo não o tivesse retirado do mercado, já prevendo o caos que se geraria em torno deste remédio.
É difícil entender a ganância do brasileiro. Nós reclamamos dos nossos políticos, da imprensa, das leis, mas estamos sempre aproveitando as circunstâncias para explorar nossos irmãos.

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