segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um ano

Hoje faz um ano daquele domingo tenebroso que mudou as nossas vidas. Por mais que a gente queira esquecer, o dia 23 de novembro ficará marcado para sempre em nossa memória. O 23 de novembro é o “nosso 11 de setembro”!
Esta semana, aqui no centro, experimentamos novamente a sensação de impotência diante da chuva. Uma forte pancada inundou a Rua Floriano Peixoto, deixando o trânsito impossibilitado por 30 minutos. Depois que a água baixou o apagão permaneceu por uma hora em parte do Bom Retiro.
Olhar para o céu e ver o tempo se armando para uma tempestade é agonizante, não menos que ouvir a previsão do tempo na televisão. Qual blumenauense não ficou apreensivo ao saber das tempestades que causaram prejuízos em Porto Alegre, esta semana?
É como se a gente revivesse aquela semana de horrores... Deus nos livre!
Eu fui à Ilhota no final da semana passada e fiquei imaginando as imagens que nós vimos pela televisão. Por lá, ao menos no centro, parece que tudo está normalizado. O comércio de roupas íntimas, que é o grande cartão postal da cidade, segue com fôlego total. Aquela avenida de lojas sofisticadas com atendimento de primeira - cafezinho com bolachas para maridos impacientes, com revistas e televisão, aguardarem suas esposas – ali ao lado do rio, nem parece verdade. Tudo está reconstruído.
Um ano é pouco tempo. Um ano é muito tempo. É tempo suficiente para reconstruir danos materiais, é pouco tempo para esquecer perdas humanas, entes queridos, apagar cenas de destruição e sofrimento.
Há um ano vivemos o que até então costumávamos ver pela televisão em países como o Haiti que é castigado pela natureza desde sempre. Isso mudou nossa vida, já não vemos o mundo da mesma maneira.
Há indícios visíveis de que futuras catástrofes são inevitáveis e isso é preocupante, pois pouco temos feito para mudar este destino.
Realmente mudamos os nossos hábitos? Separamos o nosso lixo, deixamos de jogar tocos de cigarro na rua, passamos a consumir marcas com selos ecologicamente corretos ou ainda esperamos que algum herói político venha nos salvar?
Reclamamos dos apagões, mas quando tudo parece normal nossos banhos são demorados, não há preocupação. Reclamamos das enxurradas que inundam ruas, mas não criamos o hábito de filtrar os resíduos que liberamos pela pia da cozinha, o simples chiclete que jogamos no chão.
Nunca mais queremos viver aquele novembro de 2008. Façamos alguma coisa para que ele não se repita. Somos milhares só no vale do Itajaí, e se cada um fizer a sua parte nunca mais viveremos esta experiência.
Deus abençoe o Brasil!

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