sexta-feira, 5 de março de 2010

De Santiago uma amiga chilena relata como lidou com o terremoto

Conheci Mindy e Rodrigo, um casal chileno muito simpático em Buenos Aires, em fevereiro. Ele é bancário em Santiago e ela trabalha como recreadora num parque aquático.
Mindy, especialmente, é uma pessoa muito espiritualizada e culta - aliás nunca conheci um chileno que não fosse culto.
Estivemos hospedados no mesmo hostel e trocamos muitas idéias. Algumas vezes falamos sobre o ocorrido no Haiti e eu fiquei impressionado de saber que no Chile os tremores são constantes.
Na sexta-feira, que antecedeu o abalo cismico, Mindy e Rodrigo Melville voltaram para o Chile.
Eu só voltei no domingo e estava muito preocupado com eles e ontem recebi um e-mail da Mindy, o que me aliviou muito. Então pedi autorização para traduzir o seu relato e postar aqui.
Segue:

"Olá Cícero,

chegamos em Stgo na sexta-feira à tarde. Fomos buscar nosso filho na casa dos meus pais e fomos para casa de carro. Não quiz abastecer o carro porque achei melhor fazê-lo no dia seguinte, para poder chegar o quanto antes em casa.
Fomos pra cama com normalidade. As 3:30h, mais ou menos, começou a tremer tudo. No começo bem devagar... Não me levantei. Logo, um pouco mais forte... Não me levantei. Um pouco depois fui ver meu filho e, derrepente, tudo começou a se mover de maneira impressionante! Com meu filho nos braços fui pra baixo do quadro da porta. Tive que me segurar pra não cair. Relamente forte!Quando parecia que ia terminar, vinha mais forte!
Quando o coração já me saia pela boca o terremoto começou a diminuir. Menos mal que não nos aconteceu nada de grave. A luz apagou e havia uma grande lua cheia que serviu como nossa luz.
No sábado estavamos todos muito lentos e alertas. A rua parecia cheia de zumbis, todos lentos e em choque. No domingo, pouco a pouco, recobramos o ânimo e a valentia.
No Sul do país foi terrível, porque depois veio o tsunami que arrasou com povos inteiros. É de uma pena infinita ver as imagens.
Bom, daqui te mandamos um abraço. Cuide-se muito. Continuemos em contato.
Mindy Melville"


A Mindy também respondeu a um e-mail meu, onde fala de sua preocupação com a humanidade:

"Oi Cícero,

que alegria saber de ti. Nós estamos bem, ainda que preocupados com o que ocorreu. Não tenho problemas se queiras publicar o meu relato. O Rodrigo tem umas fotos do que aconteceu na nossa casa, que é NADA comparado com o que o tsuname destruiu no sul.
Minha maior preocupação é com o ser humano. Não consigo entender como, mesmo diante do terror e do caos, as pessoas se aproveitam da escuridão da noite e saqueiam, sem remorso, lojas e casas. Nada justifica essas ações.
Tú lembras quando falavamos sobre o individualismo e a pouca solidariedade? Justo agora posso ver em toda a sua magnitude a miséria humana. O que tem que acontecer para que tomemos conciência de quais são na verdade as coisas que realmente valem a pena?
As construtoras já se preocupam em reedificar os edifícos.. dos ricos. É aí que se vê a desigualdade social em todo seu explendor. Cícero, não me resta mais nada que lutar e falar para as pessoas que DESPERTEM e busquem em seus corações a irmandade que faz com que os povos se levantem e comecem tudo de novo, como a Fênix que ressurgiu das cinzas.
Um abraço desde Chile. Obrigado pela sua preocupação e estamos em contato irmão brasileiro.
Mindy Melville"

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