quinta-feira, 20 de maio de 2010

Para gringo ver


Por esses dias estive lendo Deu no New York Times, ensaio do jornalista norte americano Lary Rohter, que foi correspondente no Brasil de 1997 a 2007. Nesse livro ele escreve sobre nossa política, sociedade, ciência, tecnologia e cultura. Cada capítulo é fechado com as reportagens publicadas no jornal ao longo dos anos em que aqui viveu.

No capítulo sobre cultura me chamou atenção o jornalista dedicar algumas páginas para expor uma mania bem brasileira: só valorizar aquilo que os estrangeiros descobrem – desde o samba às manifestações folclóricas do nordeste “de pura brasilidade, mas que muitos brasileiros, especialmente no sul, parecem ter vergonha delas”.

Acho que ele tem razão. Quem já não se viu “adorando” uma música brasileira que fez parte da trilha sonora de um filme americano? Quem não se lembra que Seu Jorge só foi reconhecido como músico de primeira grandeza depois de conquistar os gringos? E o orgulho que nós temos da Carmen Miranda? Será que ela é melhor que a Tônia Carrero, por exemplo? Eu quase nem ouso dizer que Central do Brasil é um filme chato, porque sei que a primeira coisa que vou ouvir é: “ah, mas foi indicado ao Oscar”.

Nós ainda temos essa mentalidade de que só é bom o que os outros aprovam, mas penso que a tendência é que essa nossa cultura vá mudando aos poucos, à medida que a globalização cultural vá se instalando na sociedade. As próximas gerações verão as coisas criadas no Brasil como patrimônio nosso, pois irão perceber que todas as grandes nações valorizam a cultura local, e as novas mídias, como a internet, são muito importantes nesse processo de intercambio cultural.

Daqui a alguns anos, possivelmente, o atual correspondente do The New York Times irá lançar um livro e dedicará um capítulo pra elogiar a valorização da cultura local na sociedade brasileira. Você duvida?

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