quarta-feira, 28 de julho de 2010

O livreiro de Cabul

Um clássico do jornalismo literário, O Livreiro de Cabul (Best Seller Ltda) se tornou um best seller desde 2002, ano em que foi lançado, pela jornalista norueguesa Asne Seierstad. É considerado um dos melhores livros de reportagem sobre a cultura afegã depois da queda do regime talibã naquele país.
Asne viveu durante três meses com uma família em Cabul e daí saiu a matéria prima para escrever o livro. O principal ponto de reflexão da obra está na liberdade de expressão, que é quase nula num país que vive fortes repressões religiosas e é dividido internamente por tribos com ideologias distintas.
Sultan, o livreiro, não é um homem comum no Afeganistão. Por ser apaixonado por livros já foi duramente reprimido durante o regime talibã, sendo inclusive preso e torturado – assistiu várias vezes a queima de milhares de livros em praça pública. Passado o período do governo talibã - pós 11 de setembro - seu país não passou a ser o melhor lugar do mundo para se viver, devido ao atraso cultural, mas a família goza de certas regalias num país onde quase todos são miseráveis e analfabetos. A maioria dos membros dessa grande família fala inglês, inclusive as mulheres que viveram no Paquistão durante a guerra civil e lá puderam estudar e trabalhar.
A reportagem relata a facilidade com que os editores falsificam obras e vendem pelo triplo do preço aos turistas e jornalistas que visitam o país. Com riqueza de detalhes, Asne conta como Sultan consegue atravessar a fronteira do Paquistão para visitar as gráficas e fazer negócios – os paquistaneses são aliados dos Estados Unidos desde os atentados de 11 de setembro, por isso as fronteiras foram fechadas para os afegãos.
O mérito da jornalista é ter sido a primeira a relatar as dificuldades de ser mulher no Afeganistão. Ela narra o cotidiano do uso da burca, as negociatas do casamento arranjado e o poder que os homens exercem sobre o sexo feminino, que é considerado incapaz de tomar decisões, inclusive sobre suas próprias vontades.
Passada a febre de interesse sobre a cultura muçulmana, esta obra é de leitura indispensável para jornalistas, estudantes de comunicação e leitores interessados em conhecer, de forma realista, uma das culturas mais ricas e intrigantes do mundo.

4 comentários:

Carlos Rodrigo disse...

Olá! Adorei seu Blog, axei MTO interessante, inclusive é uma bela dica esse livro, já tinha ouvido falar! Vou te seguir! Eu criei o meu a um mês e alguns dias, se quiser dar uma olhada fique a vontade!
Abs!

Palavralida disse...

Adorei a dica! Adoro literatura muçulmana também, nos enriquece. Andei relendo a trilogia de Tarik Ali, Sombras da Romãzeira, Livro de Saladino e Mulher de Pedra, maravilhoso! Outro dia reli Amêndoa também, se você ainda não tiver lido esses, indico fortemente, vc vai amar. Beijos e obrigada pela visita!

Simara **(Plantão da beleza)** disse...

Oi linda amei seu blog ta lindo já estou seguindo viu, faz uma visitinha no meu ai se você gostar me segue também ta, beijão simara
http://plantaodabeleza.blogspot.com/

Cícero Tito Nogueira disse...

Simara, quero acreditar que vc comentou no blog errado. Este pertence a um BLOGUEIRO. hihii de qualquer forma, gracias.