sábado, 18 de setembro de 2010

Informe-se, mas não seja ingênuo

"Os tempos mudaram. Ler as reportagens exige prévio conhecimento da tendência do veículo."

À iminencia do evento mais importante do ano de 2010 - as eleições - o excesso de informações não tem se traduzido, necessariamente, em conhecimento para a maioria das pessoas. É muito fácil encontrarmos gente que, apesar de estarem conectadas com toda sorte de tecnologias, não sabem opinar sobre os candidatos que concorrem ao poder.
É nesse cenário que as revistas são importantes meios jornalísticos, pois vão além do óbvio. Devido à periodicidade, as semanais trabalham muito com o factual. Mas, o que é cotidiano já foi dito, as vezes exaustivamente, por outros veículos como televisão, jornal e internet. Por isso elas têm uma abordagem diferenciada. Vão mais a fundo na apuração e fazem contextualizações que frequentemente passam despercebidas por outras mídias.
Quando compramos uma revista não estamos esperando um relato superficial das notícias. Sabemos que ali está exposto um olhar mais profundo, que a televisão não pôde ou não quiz mostrar.
As revistas contribuem para que os indecisos busquem informações e retomem fatos do passado que já estão esquecidos na mídia, mas devem ser levados em consideração na hora da escolha. Não basta saber as propostas do candidato, mas sim conhecer sua trajetória, os projetos já desenvolvidos, sua biografia.
Contudo, também é importante ser um leitor crítico. Como citou o jornalista Joaquim Carvalho, em seu Blog do Morumbi, "os tempos mudaram. Ler as reportagens exige prévio conhecimento da tendência do veículo."
Por ter uma relação mais íntima com o leitor, as revistas podem ser tendenciosamente usadas para influenciar a opinião pública. Apesar de não ser declaradamente favorável a um ou outro partido político, algumas publicações expõe em suas páginas o que consideram ser o "melhor para o país". "O que há é um alinhamento ideológico e de interesses, que faz as empresas de comunicação se aproximar de um ou outro partido, publicando reportagem que lhes possa gerar dividendos eleitorais", diz o jornalista.
A ética dos profissionais de comunicação especializados em política é o mínimo que se pode esperar, mas em tempos em que o mercado fala mais alto que a verdade, faz-se necessário que os eleitores estejam preparados para identificar o que é notícia e o que é propaganda.

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