quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Nós somos os Estados Unidos, eles são o México"

Já ouvi gente "estudada" dizer essa frase aí do título.
Comparar Argentina com Brasil é como comparar Ivete Sangalo com Cláudia Leitte, não leva a lugar algum.
Etnocentrismo? Xenofobia? Ignorância?

Se tem uma coisa que me irrita (e muita coisa me irrita) é ouvir gente falar mal de argentino. Não só porque eu vivi sete meses em Buenos Aires e conheço um pouco da cultura de nossos vizinhos, mas porque desde sempre acho uma besteira essa rivalidade sem nexo. Geralmente o anti-argentino é alguém que só tem uma opinião consistente sobre futebol, mais nada, além disso.

Outro dia, em uma aula de Jornalismo Especializado, foi levantada a discussão sobre o tema. Alguns colegas falaram sobre como nossos hermanos são politizados – o que também é um clichê repetido por quem não conhece a Argentina (sugiro a leitura de O atroz encanto de ser argentino, de Marcos Aguinis) – e voltamos àquela velha comparação com o Brasil. De repente, um colega pediu a palavra e disse: “Olha, eles podem ser politizados e cultos, mas ainda assim são argentinos!”. E? Estamos falando de acadêmicos de Comunicação Social, gente. Imagine!

Como disse, os clichês são repetidos por pessoas desconhecedoras de quem são os argentinos no cenário internacional, sua cultura e seu povo. Eu tampouco conheço o Chile ou o Peru, mas tenho o bom senso de não discriminá-los, justamente por não conhecê-los. Mas, o que se percebe é que o sentimento anti-argentino tem crescido assustadoramente nos últimos tempos, ao menos aqui no sul. As pessoas passaram a trazer para seu dia-a-dia uma rivalidade que até então estava apenas no futebol. Algumas nem sabem dizer por que, só sabem que não gostam de argentinos.

O jornalista Billy Culleton escreveu no site Observatório da Imprensa, o artigo A moda é discriminar argentinos, em que afirma: “Incentivado por narradores esportivos e insuflado por comerciais de TV, desprezar argentinos passou a ser um comportamento nacionalista. Pessoas que até pouco tempo atrás eram imparciais, agora torcem contra a Argentina em tudo: desde esportes até indicadores sociais. Essa multidão não sabia que era uma questão de patriotismo ser ‘inimigo’ dos argentinos. Ainda bem que a mídia os avisou”.

Comparar Argentina com Brasil é como comparar Ivete Sangalo com Claudia Leitte, não leva a lugar algum. Agora, discriminar argentinos e tratá-los como inferiores é algo preocupante e deveria ser encarado como uma deficiência social. Se nós, acadêmicos, intelectuais, replicadores e formadores de opinião temos esse pensamento tão pequeno, como podemos cobrar civilidade da sociedade?

Meu colega anti-argentino nunca saiu de Santa Catarina. Não tenho dúvidas de que quando ele sair da faculdade será um ótimo repórter desportivo, só espero que cresça e se abra para o mundo, do contrário estaremos andando em círculos.

Um comentário:

Rose Dayanne disse...

Olá Cícero... A correria tah grande e já tem um tempinho q estou sumida da blogsfera. Tem umas comparações q vou te falar.. Gostei do texto.
Abração