terça-feira, 21 de setembro de 2010

Uma boa leitura para os "focas".

Como se preparar para trabalhar como jornalista

Todo estudante de jornalismo se vê cheio de dúvidas como: em qual estilo de mídia se especializar, onde buscar estágio, a partir de qual semestre entrar no ramo... Especialmente quando não se tem a obrigatoriedade do diploma e num ramo onde grandes conglomerados são donos de tudo - isso falando de um ramo que se diz a voz da sociedade - e não há muito espaço para os idealismos utópicos.

Pensando nesses questionamentos, as editoras da Folha de São Paulo Ana Estela de Sousa Pinto e Cristina Moreno Castro escreveram A vaga é sua, um excelente manual para estudantes de jornalismo ou outros cursos que queiram seguir a profissão. De forma prática elas descrevem o que fazer, que rumo tomar nos estudos, estágios e na hora de escolher a editoria em que se quer trabalhar.

O livro é bem focado em jornal impresso, mas as dicas podem ser usadas para qualquer veículo. As autoras ilustram com exemplos vividos por elas durante os tempos de faculdade. Cada capítulo contém uma entrevista com profissionais de destaque que viveram as mesmas incertezas dos focas (iniciantes no jornalismo). Entre os inúmeros entrevistados estão Marcelo Tas, Boris Casoy e Laurentino Gomes, o autor de 1808.

Há um capítulo voltado para aqueles que optam por não fazer um estágio durante o curso e preferem viajar. As autoras dizem que essa é uma boa opção, mas alertam para os riscos e dão dicas de como tornar as viajens internacionais uma maneira riquíssima de apurar o lado repórter.

Destaque também para as dicas de como trabalhar como free lancer.

Em resumo o que se conclui é que o melhor caminho é uma boa formação intelectual, pois a concorrência é muito grande e não há mais espaços para novatos despreparados. Parece óbvio, mas sabemos que muita gente está mais preocupada em entrar no mercado, iniciar logo a carreira. Eles não são totalmente culpados por isso, pois muitas faculdades estão focadas apenas em preparar para o "mercado de trabalho" - talvez ainda seja um resquício daquele Brasil em que encontrar um emprego era uma esperança remota e prometer isso era a melhor propaganda para os cursos ditos "profissionalizantes".

São 176 páginas e a leitura é rápida. É um livro para se ter sempre ao alcance, usar como manual.

Nenhum comentário: