quinta-feira, 25 de novembro de 2010

De homens e de livros

À medida que o tempo passa vemos a diminuição do hábito da leitura convencional no Brasil. Aquela leitura de livros de bons autores de ficção que tanto contribui para a formação do pensamento e melhora o vocabulário, além do enriquecimento cultural, é quase ultrapassada para as novas gerações tão acostumadas à internet. Segundo publicou a revista Superinteressante deste mês, o brasileiro lê em média 1 livro por ano. Menos que nossos vizinhos argentinos e chilenos que lêem 5 livros por ano. Sem falar nos uruguaios (quem diria?) que apreciam 6 livros por ano!

Grande parte da culpa é da Escola que se utiliza de uma metologogia ultrapassada ao apresentar os clássicos da literatura para os alunos. Manuel de Lima, especialista em Lingüística pela UERN, diz que “o espaço para leitura em sala de aula é pouco oportunizado e o ensino de gramática ainda é visto por muitos professores como prioridade no ensino da Língua Materna, o que gera sérias dificuldades para que o aluno desenvolva a habilidade de compreender o que lê e de, por assim dizer, gostar de ler”.

Assim como nós, que crescemos sendo orientados a ler os clássicos sisudos e com linguagem de difícil entendimento, as novas gerações também não estão sendo preparadas para ler por hábito. A leitura continua sendo apresentada como uma obrigação. Para fazer o vestibular o adolescente se depara com três ou quatro obras para “estudar” e na hora da prova ele tem que responder sobre aspectos sobre os quais não foi preparado para analisar, como o contexto histórico em que a o livro foi escrito, por exemplo.

Mas a família também contribui para que as crianças não se interessem pelos livros. O entretenimento tem sido uma porta de escape para que os pais possam trabalhar e seguir o ritmo acelerado de suas vidas, sem perceber que estão prejudicando o desenvolvimento intelectual dos filhos. Ao invés de comprar livros, presenteiam seus filhos com jogos eletrônicos.

O resultado disso é um exército de analfabetos funcionais, pessoas que não conseguem interpretar um texto por mais simples que ele seja. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20% dos brasileiros não conseguem compreender textos, enunciados matemáticos e estabelecer relações entre assuntos, apesar de conhecerem letras e números.

Monteiro Lobato, aquele que hoje é apresentado às crianças apenas através do seriado de televisão, no início do século XX já dizia: “um país se faz com homens e livros”. Somente uma sociedade pensante é capaz de maximizar resultados em todas as áreas, resultando em qualidade de vida.

É preciso que haja uma revisão nos métodos de incentivo à leitura, sob risco desse déficit social aumentar cada vez mais, mas também se faz necessária uma ação conjunta entre a sociedade e a escola, pois é nos primeiros anos do ensino fundamental que o hábito da leitura irá se enraizar.

Para o portal da revista Crescer o crítico literário André Muniz de Moura atribuiu aos pais o papel de serem os primeiros a incentivar a leitura, dando poder de escolha às crianças. “Uma coisa é certa: tem de dar opção à criança, pois quem lê, escolhe. E é lendo que a criança desenvolverá seu potencial crítico”, disse.

Que tal levar os pequeninos para dar uma volta na livraria nesse fim de semana?

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