segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

La Plaza de Mayo, una crónica - de Silvia Sigal

A Praça de Mayo é uma das mais famosas do mundo e, sem dúvidas, a mais conhecida da América Latina. Não é a mais imponente ou bonita de Buenos Aires. Não tem as esculturas idólatras da General San Martin ou a torre inglesa da Fuerza Aérea Argentina (antiga Plaza Britanica), mas está em frente à Casa Rosada - o palácio do governo da Argentina - e é, ainda, jardim para a Catedral Metropolitana de BsAs, o Cabildo Histórico e o Banco Nación.

A socióloga argentina Silvia Sigal, uma estudiosa de política e sociedade, fez de La Plaza de Mayo – una crónica, um tributo à essa praça, pois defende que ela está sobrecarregada de sentidos. Segundo ela, Mayo é um espaço para reclamações e para imposição do poder, visto que ali aconteceram as principais manifestações e é onde todos os governantes se apresentam para o povo, onde são consagrados pelo povo. “Na Plaza de Mayo se viu o poder celebrar a Pátria, a Igreja render honras a Cristo e grupos, grandes ou pequenos, pacíficos ou violentos, reclamar diante das autoridades. Ou seja, sempre foi uma praça política”.

Nesta obra Sigal faz questão de frisar que essa praça não pode ser vista de forma singular. “Alguns pensam que ela foi cenário somente de protestos populares e não é assim. Desde 1899 até os dias de hoje, também empresários protestam nas ruas e chegam até a Praça de Mayo: todos os setores se mobilizam”. Ela destaca que três grandes eventos podem distinguir a Praça de Mayo das demais: “as celebrações patriotas, o peronismo e as reuniões das Madres”.

A primeira edição dessa obra data de 2006 e ainda não há tradução para o português, mas sem dúvidas é uma excelente fonte de pesquisa para quem busca informações sobre a política na Argentina ou na América Latina. O bom é que, com a desculpa de falar sobre uma praça que é ponto turístico, a autora brinda o leitor com um texto politizado e de fácil entendimento até para quem não é argentino.

Silvia Sigal é também autora de Perón o muerte: Los fundamentos discursivos del fenóneno peronista (1986) e Intelectuales y poder en Argentina: la década del sesenta (2002) obras que a consagraram nos países de fala hispânica e na França, onde vive desde 1973.

Nenhum comentário: