sexta-feira, 6 de maio de 2011

A comunidade e as novas mídias

A crescente virtualização da informação no Brasil e no mundo tem modificado a maneira com que as pessoas se comunicam. Os mais diferentes segmentos da sociedade estão se comunicando de uma forma nunca vista antes na história da humanidade, com dinamismo e independência.

Esse desenvolvimento também está sendo notado nas comunidades mais carentes, que passaram a ter acesso, ainda que de forma mais lenta, à informática. Líderes, artistas, intelectuais, estudiosos dos bairros carentes, associações de moradores, etc., estão utilizando a internet e as novas mídias sociais para levar com maior rapidez e para um número maior de pessoas suas mensagens.

As lan houses são as portas de entrada dos produtos culturais e informativos produzidos na comunidade e através delas também são visualizadas por muitos indivíduos. A facilidade de crédito para aquisição de computadores e acesso à planos de internet também são favoráveis à inclusão digital.

Essa nova realidade permite a visibilidade aos pequenos grupos, – ou, em muitos casos, grandes grupos com pouco poder aquisitivo – associações de bairros, etc.,  e também se tornou um importante nicho para difusão de idéais, sejam elas políticas, religiosas ou comerciais.

O jornalista Paulo Roberto Betão, em artigo apresentado no INTERCOM em setembro de 2010 na Bahia, afirmou que “o que se tem observado é uma disponibilização crescente de novas ferramentas a diferentes setores da população, o que tem resultado, entre outras, coisas, na possibilidade de melhoria significativa da qualidade da comunicação produzida em todos os níveis.” O pesquisador observou 22 sites comunitários da região de Piracicaba e chamou a atenção para os cuidados estéticos e editoriais que são cada vez maiores, mostrando que há sim uma profissionalização do que antes era visto apenas como algo amador e não atraia a atenção.

Uma tendência que cresce a cada dia é a interatividade proporcionada pelas redes sociais (internet 2.0). Através de comunidades dentro da grande comunidade virtual os indivíduos podem encontrar seus pares e discutir assuntos de interesse mútuo, seja de forma permanente ou em eventos esporádicos, como em catástrofes ou eventos políticos.

Em Blumenau temos um exemplo que teve bastante repercussão na mídia nacional e internacional, o blog Alles Blau (tudo de bom, em alemão). Durante as enchentes de novembro de 2008, um grupo de internautas criou a home page para divulgação e ajuda à comunidade. Através desse site os cidadãos podiam trocar mensagens informando como estava o nível das águas do rio, as liberações ou interdições de ruas e locais onde se podiam abrigar as vítimas das cheias, etc. Somente no primeiro dia foram registrados 25 mil acessos, conforme noticiou o Estadão online. A iniciativa foi destaque inclusive pelo The New York Times, que classificou como “a internet a serviço da comunidade”.


Não há dúvidas que a democratização da informação, através da internet, também chegou para se tornar uma ótima ferramenta para o Jornalismo Comunitário.

Um comentário:

Roberta Melo disse...

Tudo que é controlado por seres humanos possui o lado positivo e negativo. Ainda bem que conscientes do poder que a internet possui, indivíduos de forma eficaz mostram para outras partes do mundo suas necessidades e anseios. Mas em contra partida há tanta barbaridade... Ela é eficiente, tão eficiente que devemos ter certa cautela.