quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um Conto Chinês

Mais uma produção cool do cinema argentino 

Qual o forte do cinema argentino? O roteiro. Isso mesmo. Nem elenco, nem fotografia, nem figurino, nem música. O roteiro. Não sou nenhum especialista em cine mas reproduzo a opinião de críticos do mundo todo.

Como sou amante da cultura latina em geral e muito envolvido com a argentina em específico, sempre que me perguntam o que os argentinos sabem fazer de melhor na telona eu digo: contar boas histórias.

 
Un Cuento Chino, a nova película do diretor Sebastián Borensztein, não foge à regra. É mais uma prova que os hermanos nos dão de que uma história simples, bem costurada pode emocionar e romper barreiras. Repare que há dezenas de salas no Brasil exibindo esse filme em versões dubladas e legendadas e puxe pela memória: qual foi o último filme argentino que você viu em solo brazuca?
O filme conta com um elenco de apenas seis atores e é estrelado pelo premiadíssimo Ricardo Darín (Nueve Reinas, El Secreto de tus Ojos e El hijo de la Novia). A história se passa em Buenos Aires, mas a cidade apenas situa os acontecimentos geograficamente, não é um personagem da trama – não espere ver a Buenos Aires turística, pois até do Cemitério Recoleta é mostrado apenas o portão de entrada. O máximo de bonaerense que se vê na tela é uma avenida "cravejada" de táxis amarelos e pretos e o aspecto “envelhecido” da arquitetura. Todo o desenrolar da história acontece na casa do personagem principal e em sua loja de ferragens.

Vamos à sinopse:

A vaca voadora

Roberto (Darín), um veterano da guerra das Malvinas, leva uma vida pacata e solitária até o dia em que um chinês aparece em sua vida.

O jovem Jun (Huang Sheng Huang, ou Ignacio Huang, como é conhecido na Argentina) chega a Buenos Aires em busca de um tio, seu único parente, depois de ter perdido sua noiva. Logo que sai do aeroporto o rapaz é roubado pelo taxista. Acolhido por Roberto, o asiático e o argentino começam uma longa procura pela família do jovem.

Até aí parece simples, não fosse o fato de o chinês não falar uma só palavra em espanhol!

Roberto tenta deixá-lo na delegacia, na embaixada chinesa, no bairro dos chineses, mas ninguém quer recebê-lo. O solteirão que há muito tempo vive sozinho e é cheio de manias se vê obrigado a dividir sua rotina com um estranho com quem não consegue se comunicar.

Uma sequência de fatos engraçados se passa nas tentativas do argentino em se livrar do hóspede.

Ironicamente ambos estão unidos por um estranho destino e ao descobrir isso começam a modificar as suas vidas. O portenho vive sofrendo por ter voltado da guerra e descoberto que seus pais haviam morrido durante sua ausência. Já Jun decidiu viajar para a América do Sul, pois no dia do pedido de casamento uma vaca “vinda do céu” caiu sobre sua noiva, matando-a.

Essa convivência mostrará para esses dois homens oriundos de culturas extremamente distantes que duas pessoas tão diferentes podem viver histórias parecidas mesmo vivendo uma em cada lado do mundo.


 
Para contextualizar: 'cuento chino' é uma maneira argentina de dizer "história para boi
dormir". O filme é baseado numa história real, por mais bizarra que seja.

Na mídia:

 o jornalista Roberto Cunha, editor do Adorocinema.com,  também falou sobre o roteiro do filme no Jornal do Brasil.

 a crítica de cinema Isabela Boscov comentou sobre o filme em seu blog na Veja.

 para ver a entrevista dada pelo ator Ricardo Darín ao blog do correspondente do Estadão em BsAs, clique aqui.

 Veja o que disse o El Clarín na estréia, em março desse ano, na Argentina.

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