quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Eu não vim fazer um discurso

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Gabriel García Márquez é um escritor GENIAL (assim mesmo, em negrito e caps), disso ninguém tem dúvida, não é mesmo? Eis que me caiu nas mãos o mais recente livro dele e confirmo para mim mesmo: ele é um gênio!

A obra, intitulada EU NÃO VIM FAZER UM DISCURSO (Record, 2011), é uma compilação de discursos e remete à ojeriza que Gabo têm de falar em público. Imagine que o primeiro foi proferido em sua formatura do segundo grau, aos 17 anos.

Nem terminei a leitura ainda e a intenção aqui não é fazer uma análise muito profunda. Quero compartilhar com os blogueiros que passam por aqui a maravilha empolgante que é esse livro.

Eu fiquei arrepiado com o quinto discurso: A solidão da América Latina, que ele proferiu ao receber o Nobel de Literatura, em Estocolmo, em 8 de dezembro de 1982. É simplesmente demais. Gabriel fala de como as Américas estão sozinhas em sua luta pela sobrevivência neste mundo e em como a Europa não faz questão de entender as mazelas do continente.
Veja esses trechos:
“Talvez a Europa venerável fosse mais compreensiva se tratasse de nos ver em seu próprio passado. Se recordasse que Londres precisou de trezentos anos para construir sua primeira muralha e de outros trezentos para ter um bispo, que Roma se debateu nas trevas da incerteza durante vinte séculos até que um rei etrusco a implantasse na História (...)”.

“A América Latina não quer nem tem por que ser um peão sem rumo ou decisão, nem tem nada quimérico que seus desígnios de independência e originalidade se convertam em uma aspiração ocidental”.


“Muitos dirigentes e pensadores europeus acreditam nisso [que as mazelas da América Latina não são resultado de seu passado de explorados], com o infantilismo dos avós que esqueceram as loucuras frutíferas de sua juventude, como se não fosse possível outro destino além de viver à mercê dos dois grandes donos do mundo. Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão”.
Yo no Vengo a Decir un Discurso seria uma forma de conhecer García Márquez antes de ler uma biografia? Talvez sim. Márcio Ferrari escreveu no Valor Econômico (26/08/2011) que com a publicação desses discursos o lendário ficcionista mostrou-se “um defensor intransigente do espontaneísmo, da informalidade e da primazia das emoções (os artistas “não são intelectuais, são sentimentais”), um fatalista e, causando um pouco de surpresa, um pessimista”.

Ainda não encontrei grandes análises dessa obra. Creio que os estudiosos de oratória e, sobre tudo os de literatura, estão digerindo e processando as palavras do autor de Cem anos de Solidão (1967). Enfim, todo cuidado é pouco quando se vai analisar a obra de um gênio.

Para finalizar lhes digo que é um ótimo livro. Talvez eu volte a falar sobre ele. Por hora estou degustando cada palavra.


Podcast: Quer ouvir um trecho de García Márquez narrado por este blogueiro,
com seu espanhol argentinizado e carregado de sotaque brazuca? Clique aqui

3 comentários:

@liananf disse...

fica a dica de leitura :D
valeuuu ai, nem sabia desse!

Andrea Araujo disse...

Já quero muito ver esse livro. Cem Ano é meu livro prediletíssimo! Abraço!

• Ӗwerton Ľenildo. disse...

Que legal, não conhecia ele, nem sua obra. hehe
Parabéns pelo post, pelo Blog, que está excelente. Seguindo sem hesitar. Abraços.

Eis o meu: http://papeldeumlivro.blogspot.com/