terça-feira, 8 de novembro de 2011

Resenha: Chatô, o Rei do Brasil

Divulgação/Companhia das Letras
Fernando Morais é um dos maiores biógrafos do Brasil. Especialista em perfis, ele já biografou inúmeras figuras públicas como políticos, artistas, empresários. É dele, por exemplo, a biografia de Olga Benário, que posteriormente teve uma versão no cinema de muito sucesso.

Em Chatô – O Rei do Brasil (Companhia das Letras, 1994), o jornalista faz um perfil de Assis Chateaubriand, um dos maiores empresários da comunicação latino americana de todos os tempos.

Chateaubriand nasceu no interior da Paraíba e alfabetizou-se tardiamente, mas isso não o impediu de se tornar um dos mais importantes empresários da mídia brasileira. Formou-se advogado e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira como jornalista e articulista político. Desde muito cedo deu-se conta de que para crescer na vida é preciso ter uma ótima rede de relacionamentos, ser audacioso e sobre tudo não ter medo de se arriscar.

Este livro reportagem descreve de forma minuciosa a trajetória de “Chatô”, e também mostra como um grande império na área da comunicação torna-se uma poderosa arma que pode aumentar cada vez mais o poder econômico de quem o controla. Não é a toa que o título do livro chama seu personagem principal de “o rei do Brasil”, pois o menino que nasceu pobre no nordeste do país ao final de sua vida era quem ditava as ordens na política nacional e, por vezes, até internacional.

O grande feito do escritor – e isso Fernando Morais sempre faz com maestria – é situar o leitor no momento histórico em que se passa sua narrativa. Entender em que Brasil Chatô foi “rei”, qual era a situação política, econômica e social da época é muito interessante.

Acredito que por Chatô ter tido uma história densa, cheia de momentos críticos do ponto de vista ético e até humano, e por ter sido um personagem com participação ativa na alta sociedade da época, Morais tenha enfrentado dificuldades para manter-se fiel aos fatos, visto que muitos interesses estão em jogo quando se trata de uma pessoa tão poderosa.

Sobre a obra em si, pode-se afirmar que não é uma leitura fácil, pois é mais descritiva, sem muitos diálogos entre os personagens. Um leitor menos acostumado a parágrafos longos, com muitas vírgulas certamente irá estranhar. Porém, a riqueza de detalhes com que os fatos são narrados faz com que o leitor tenha vontade de avançar mais e mais.

Em Chatô, o Rei do Brasil  Fernando Morais é o narrador onipresente e onisciente que faz seu leitor mergulhar no universo desse controverso e instigante personagem.


Curiosidade:               Chatô também ganhou uma versão cinematográfica que nunca
chegou a ser finalizada, pois o diretor Guilherme Fontes teve problemas com o Fisco.

Um comentário:

Andrea Araujo disse...

Nao li ainda, mas sei que tenho...