domingo, 18 de dezembro de 2011

Os Chefes, Os Filhotes e A menina má

Outro dia estive relendo Os Chefes e Os Filhotes de Mario Vargas Llosa. São duas obras distintas. Foram publicadas juntas há pouco pela Objetiva. Os Chefes é a primeira publicação desse autor e data de 1959. Já Os Filhotes é de 1967.

Na primeira está uma compilação de seis contos e a outra é uma novela sobre adolescentes da Lima – capital do Peru, pátria do escritor – dos anos 1950.

A narrativa é única, envolvente e cheia de características que só esse Nobel de literatura possui. Os diálogos apresentados nos contos são o fio condutor das histórias, mas nem só os travessões que delimitam as falas as contém. Durante a narração em primeira pessoa, Vargas Llosa também insere frases ditas por seus personagens, de uma forma dinâmica e subentendida, transformando assim o leitor em leitor-narrador.

É sem dúvida um livro recomendável para quem quer começar a ler Vargas Llhosa.

A primeira obra desse escritor que me caiu nas mãos foi Travessuras de uma Menina Má. É uma novela envolvente, com poucos personagens. É contada em primeira pessoa pelo atrapalhado Ricardo, um peruano que nasceu em Miraflores – um dos bairros mais tradicionais de Lima – e sempre alimentou o sonho de viver em Paris. Durante a adolescência teve em Lily seu primeiro amor, que conduzirá a trama toda.

Já na Europa eles se reencontram e ela o faz sofrer muito, pois é mentirosa, indiferente e assustadoramente sedutora. Há nessa história algo de cômico e trágico, criando assim uma tensão, uma certa compaixão e um pêndulo entre o amor e o ódio que Ricardo e o leitor sentem por Lily, a menina má.

Enquanto a trama se desenrola, Vargas Llosa nos leva para uma viagem a vários lugares do mundo, sempre sob a ótica do estrangeiro, cheio de dúvidas e vivendo um drama com seu passado, com seu presente e com a incerteza do futuro.

Há quem diga que nessa obra existem passagens autobiográficas em que Vargas Llosa confessa algumas passagens de sua vida.

Mario Vargas Llosa é, juntamente com Isabel Allende e o grande Gabriel García Márquez, um dos maiores expoentes da literatura latino americana. Enquanto a chilena e o boliviano viajam pelo fantasioso – ela com pitadas de misticismo muito características e ele com suas novelas quixotescas – o peruano conduz sua literatura nos pequenos detalhes dos personagens, na forma com que costura as pequenas histórias que compõem a trama
“Mas o fato mais notável daquele verão foi a chegada a Miraflores, diretamente do Chile, seu distante país, de duas irmãs cuja presença marcante e inconfundível jeito de falar, rapidinho, com uma exclamação aspirada que soava como um “pueh”, deixaram abobalhados todos os miraflorenses que acabavam de trocar as calças curtas pelas compridas. E eu, mais do que qualquer outro”(Travessuras da Menina Má, 2006).
Em 2010 veio a consagração mundial com o Nobel de Literatura. Politizado, por vezes até polêmico, o escritor é articulista de grandes e respeitados jornais (de The New York Times a El País) e mundialmente respeitado por sua contribuição para a literatura.

No Peru, como era de se esperar, é considerado um “cidadão peruano universal” e, apesar de suas duras críticas à ditadura e aos governos populistas, muito respeitado. No Brasil recentemente esse escritor teve sua popularidade aumentada, em partes por causa da exposição que o Nobel traz.  


"Flaubert me ensinou que o talento é uma disciplina tenaz e uma grande paciência".

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